
A maioria dos pais já passou — ou vai passar — por aquela noite em claro: testa a testa do filho, percebe que está quente, mede a temperatura e aparece o número que faz o coração disparar. Febre em criança é uma das principais causas de consulta pediátrica no Brasil, e também uma das maiores fontes de ansiedade para pais e mães. A boa notícia: na maioria das vezes, ela é benigna e passageira. A notícia importante: existem situações em que a febre exige atenção médica imediata — e saber distingui-las pode fazer toda a diferença.
Este guia foi escrito para ajudar pais e responsáveis a entender o que é febre, como medir corretamente, quando se preocupar, quando levar ao pronto-socorro e como agir nas primeiras horas. Conteúdo revisado pela equipe técnica da +Clinic, clínica multidisciplinar do Rio de Janeiro.
🚨 Procure atendimento de emergência IMEDIATAMENTE se a criança apresentar:
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- Bebê com menos de 3 meses com qualquer febre (acima de 37,8°C)
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- Convulsão durante a febre (mesmo que pare em poucos minutos)
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- Manchas roxas ou vermelhas que não desaparecem ao pressionar a pele
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- Dificuldade respiratória (criança “puxando” o ar, respiração rápida ou ofegante)
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- Sonolência excessiva, criança “molenga” ou difícil de acordar
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- Vômitos repetidos com incapacidade de manter líquidos
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- Sinais de desidratação severa (boca seca, fralda seca por mais de 6 horas, choro sem lágrimas)
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- Rigidez na nuca ou irritabilidade extrema com luz/barulho
Nesses casos, não espere consulta agendada. Vá ao pronto-socorro pediátrico mais próximo ou ligue 192 (SAMU).
O que é febre em criança: definições oficiais
A primeira coisa que pais devem saber é que nem toda temperatura elevada é febre. A temperatura normal do corpo varia ao longo do dia (mais baixa pela manhã, mais alta no fim da tarde) e também conforme onde é medida. Pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Academia Americana de Pediatria (AAP), considera-se febre quando:
- Temperatura axilar (axila): ≥ 37,8°C
- Temperatura oral (boca): ≥ 37,5°C
- Temperatura retal (mais precisa em bebês): ≥ 38°C
- Temperatura timpânica (ouvido): ≥ 37,8°C
Entre 37,3°C e 37,7°C axilar é considerado “estado febril” ou febrícula — pode indicar que a febre está começando ou cedendo, mas ainda não é febre estabelecida. Importante saber: a febre não é a doença. Ela é um sintoma, uma resposta natural e normalmente saudável do corpo a uma infecção. O sistema imunológico eleva a temperatura para combater vírus e bactérias mais eficientemente.
Tabela de temperatura: o que cada faixa significa
Esta tabela resume como interpretar a temperatura axilar (a mais usada no Brasil) e o que esperar de cada faixa:
Temperatura axilar
Classificação
Conduta geral
Até 37,2°C
Normal
Nenhuma ação necessária. Variação normal do dia
37,3°C a 37,7°C
Estado febril (febrícula)
Observar a criança. Hidratar bem. Repetir medição em 1 hora
37,8°C a 38,5°C
Febre baixa
Geralmente não exige antitérmico se a criança estiver bem. Observar evolução
38,6°C a 39,4°C
Febre moderada
Antitérmico se a criança estiver desconfortável. Observar de perto. Procurar pediatra se persistir mais de 48-72h
39,5°C ou mais
Febre alta
Antitérmico. Procurar pediatra ou pronto-socorro mesmo no primeiro dia
Acima de 40°C
Hipertermia
Atendimento médico imediato
Importante: a intensidade da febre não corresponde necessariamente à gravidade da doença. Crianças podem ter febre alta por viroses simples (e ficam ótimas em poucos dias) ou febre baixa por quadros mais sérios. Mais relevante que o número exato é como a criança está se comportando.
Causas mais comuns de febre na infância
Em mais de 90% dos casos, a febre em crianças é causada por infecções virais autolimitadas — ou seja, que melhoram sozinhas em alguns dias. As principais causas, em ordem de frequência:
- Viroses respiratórias: resfriado comum, gripe, COVID-19, infecções por adenovírus, vírus sincicial respiratório (VSR)
- Viroses gastrointestinais: rotavírus, norovírus, com diarreia e vômitos
- Doenças exantemáticas: sarampo, rubéola, catapora, exantema súbito (roséola)
- Infecções bacterianas comuns: amigdalite, otite média, infecção urinária, pneumonia, sinusite
- Doenças tropicais: dengue, zika, chikungunya — especialmente importantes em períodos de transmissão
- Reação pós-vacinal: febre baixa nas primeiras 48 horas após algumas vacinas é comum e benigna
- Erupção dentária: embora popular, a relação com febre alta é controversa. Pode causar elevação leve da temperatura, mas febre acima de 38,5°C raramente é “só dos dentes”
Para casos suspeitos de algumas dessas infecções, a +Clinic realiza testes específicos como testes para dengue, teste rápido para Influenza A+B e teste para COVID-19, todos com resultado rápido na própria unidade.
Como medir corretamente a temperatura
O método de medição importa muito — e medições incorretas podem levar a decisões equivocadas. Veja como medir certo:
Termômetro digital axilar (o mais comum no Brasil):
- Limpe a axila — ela deve estar seca
- Posicione o termômetro de forma que o sensor fique bem encostado na pele
- Mantenha o braço bem fechado contra o corpo durante toda a medição
- Aguarde o “bip” final do aparelho (geralmente 60-90 segundos)
- Não meça logo após banho quente, atividade física intensa ou se a criança estava muito agasalhada
Termômetro retal (mais preciso, recomendado para bebês menores de 3 meses):
- Use vaselina ou lubrificante
- Insira apenas 1,5-2,5 cm da ponta
- Mantenha por 1 minuto ou até o sinal sonoro
- Sempre limpe e desinfete o termômetro após uso
Termômetro de testa (infravermelho) ou de ouvido:
- Mais práticos, mas podem ser menos precisos se mal posicionados
- Siga rigorosamente o manual do fabricante
- Em caso de dúvida sobre a leitura, confirme com termômetro axilar
Termômetros que NÃO devem mais ser usados: termômetros de mercúrio são proibidos pela ANVISA desde 2019. Se você ainda tem em casa, descarte adequadamente em ponto de coleta especializado — nunca jogue no lixo comum.
Quando levar ao pronto-socorro vs. agendar pediatra
Esta é a dúvida prática mais comum dos pais. A tabela abaixo ajuda a decidir:
Situação
Ação recomendada
Bebê < 3 meses com qualquer febre
Pronto-socorro pediátrico imediatamente
Criança com sinais de alerta (convulsão, manchas, dificuldade respiratória, sonolência excessiva)
Pronto-socorro imediatamente
Febre alta (≥ 39,5°C) que não cede com antitérmico
Pronto-socorro no mesmo dia
Febre persistente por mais de 72 horas (3 dias)
Consulta com pediatra com agendamento prioritário
Febre que cede com antitérmico, criança volta a brincar entre os picos
Pode aguardar, observando. Consulta agendada se persistir > 48h
Febre + sintomas localizados (dor de ouvido, dor ao urinar, tosse persistente)
Consulta com pediatra para investigação dirigida
Febre em criança com doença crônica (cardiopatia, imunodeficiência, anemia falciforme)
Procurar pediatra ou pronto-socorro mais cedo, conforme orientação prévia do médico
Regra prática útil: não é só o número da febre que importa. Avalie como a criança está se comportando. Uma criança com 39°C que está alerta, brincando entre os picos, comendo e bebendo tem prognóstico muito melhor que uma criança com 38°C “molenga”, recusando líquidos e que não se anima nem com brinquedos favoritos.
O que fazer (e o que não fazer) em casa
Enquanto a febre não passa ou enquanto você aguarda atendimento, há ações que ajudam — e outras que devem ser evitadas.
✅ O que fazer
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- Hidratar bastante: ofereça água, leite materno (em bebês), soro caseiro, sucos diluídos, frutas com bastante água. Crianças com febre perdem mais líquido e se desidratam rápido
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- Manter ambiente arejado e fresco: roupas leves, lençol fino, cobertor só se a criança sentir frio
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- Banho morno (não frio): a 1-2°C abaixo da temperatura corporal pode ajudar. Não use banho gelado ou álcool — pode causar tremores e até piorar a febre
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- Compressas mornas na testa, axilas e virilhas podem dar conforto
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- Antitérmico apenas se a criança estiver desconfortável: paracetamol (acima de 2 meses) ou dipirona/ibuprofeno (acima de 6 meses) na dose correta para o peso. Sempre ler bula e seguir orientação pediátrica prévia
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- Anotar: horário das medições, valores, horários de medicamento, sintomas associados. Essas informações são valiosas para o pediatra
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- Manter alimentação leve conforme aceitação da criança. Não force alimentação
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- Repouso: permitir que a criança descanse. Não é necessário cama 100% do tempo, mas evite atividades intensas
❌ O que NÃO fazer
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- Não use AAS (ácido acetilsalicílico, aspirina) em crianças: associado à Síndrome de Reye, complicação grave
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- Não dê antibiótico por conta própria: a maioria das febres é viral e antibiótico não funciona em virose. Uso indevido seleciona bactérias resistentes
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- Não use banho gelado, álcool ou panos com álcool: pode provocar tremores e elevar ainda mais a temperatura interna
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- Não agasalhe demais tentando “suar a febre” — isso pode subir a temperatura e ser perigoso, especialmente em bebês
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- Não dê dois antitérmicos juntos sem orientação médica
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- Não acorde a criança que está dormindo bem só para dar antitérmico — sono é restaurador
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- Não meça temperatura logo após banho quente ou se a criança estava muito agasalhada
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- Não dê remédios “que sobraram” de outras crianças ou de outras doenças
Convulsão febril: o que é e como agir
A convulsão febril é um dos eventos mais assustadores para pais — e também um dos mais incompreendidos. Trata-se de uma convulsão desencadeada pela elevação rápida da temperatura, que afeta cerca de 2 a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos. Embora terrível de presenciar, na vasta maioria dos casos é benigna e não causa sequelas.
Como reconhecer:
- Tremores ou contrações rítmicas dos braços e pernas
- Olhos revirados ou parados
- Perda de consciência
- Pode haver liberação de saliva ou perda urinária
- Dura geralmente menos de 5 minutos (a maioria dura 1-2 minutos)
O que fazer no momento:
- Mantenha a calma — saiba que vai passar em poucos minutos
- Coloque a criança deitada de lado em superfície segura (chão, longe de objetos)
- Afaste objetos ao redor que possam machucá-la
- Não tente conter os movimentos nem colocar nada na boca (mito popular perigoso)
- Cronometre a duração — informação importante para o médico
- Após a convulsão, leve a criança ao pronto-socorro mesmo que ela pareça bem
Toda primeira convulsão febril deve ser avaliada por médico. Episódios subsequentes em criança já investigada podem ser conduzidos conforme orientação prévia do pediatra.
Atendimento pediátrico na +Clinic
A +Clinic oferece atendimento pediátrico nas duas unidades do Rio de Janeiro — Copacabana e Barra da Tijuca. Você pode contar com:
- Consulta com pediatra para acompanhamento de rotina, avaliação de quadros agudos e orientações
- Agendamento prioritário para crianças com sintomas relevantes (em geral em 24-48h)
- Realização de testes rápidos no local: testes para dengue, influenza A+B, COVID-19
- Exames laboratoriais diretamente em nossa unidade, com coleta sem complicação para crianças
- Modelo Reembolso Assistido — organizamos toda a documentação para que você solicite o reembolso ao seu plano de saúde
- Ambiente acolhedor, equipe treinada para atender crianças e seus responsáveis
Atendimento: segunda a sexta, das 8h às 18h · sábado, das 8h às 12h.
⚠️ Importante: em casos de emergência (sinais de alerta listados no início deste artigo), procure pronto-socorro pediátrico imediatamente. A +Clinic atende pediatria ambulatorial — não somos pronto-socorro.
Não. Na +Clinic, você pode agendar diretamente, sem precisar passar antes por um clínico geral.
No momento, trabalhamos no modelo particular com Reembolso Assistido — fazemos sua consulta ou exame e organizamos toda a documentação (recibos, laudos e descritivos) para que você solicite o reembolso ao seu plano de saúde. Os critérios e valores variam conforme cada plano: recomendamos confirmar a cobertura diretamente com o seu.
A maioria dos agendamentos é confirmada para a mesma semana. Em casos com sintomas relevantes, priorizamos atendimento em 24 a 48 horas.
Não. Para emergências, procure imediatamente o pronto-socorro mais próximo ou ligue 192 (SAMU). Após estabilizado, podemos assumir o acompanhamento ambulatorial.
Considera-se febre quando a temperatura axilar é igual ou maior que 37,8°C, oral ≥ 37,5°C, retal ≥ 38°C ou timpânica ≥ 37,8°C. Entre 37,3°C e 37,7°C axilar é considerado estado febril ou febrícula. A febre é uma resposta natural do corpo a infecções, e a maioria dos casos é benigna e passageira.
Procure pronto-socorro imediatamente se: bebê com menos de 3 meses tiver qualquer febre; criança apresentar convulsão; manchas roxas que não desaparecem ao pressionar; dificuldade respiratória; sonolência excessiva; vômitos repetidos com desidratação; rigidez na nuca. Para febre alta (≥39,5°C) que não cede com antitérmico, também é recomendado pronto-socorro no mesmo dia.
Sim, com cuidados: paracetamol pode ser usado a partir de 2 meses; dipirona e ibuprofeno a partir de 6 meses (com indicação médica). A dose correta varia conforme o peso da criança, não a idade. Nunca use AAS (aspirina) em crianças, pois está associado à Síndrome de Reye, complicação grave. Sempre siga orientação prévia do pediatra e leia a bula.
Na vasta maioria dos casos, não. A convulsão febril simples (que dura menos de 5 minutos, em criança entre 6 meses e 5 anos) é benigna e não causa sequelas. Embora terrível de presenciar, a maioria das crianças que tem um episódio se recupera completamente. Toda primeira convulsão deve ser avaliada por médico para confirmar o diagnóstico e orientar conduta.
Em viroses comuns (resfriado, gripe, viroses gastrointestinais), a febre costuma durar de 2 a 5 dias. Pode haver picos altos especialmente nos primeiros 2-3 dias e depois melhora gradual. Se a febre persistir por mais de 72 horas (3 dias) sem sinais de melhora, é hora de procurar pediatra para investigação. Em algumas viroses específicas (como o exantema súbito), a febre pode durar até 5 dias.
Não — pelo contrário, podem piorar. Banho frio causa tremores, que aumentam a temperatura interna do corpo. Álcool não deve ser usado pois é absorvido pela pele e pode causar intoxicação em crianças. O recomendado é banho morno (1-2°C abaixo da temperatura corporal) e compressas mornas. Se precisar usar antitérmico, use o medicamento orientado pelo pediatra na dose correta para o peso da criança.
Sobre a +Clinic
A +Clinic é uma clínica médica multidisciplinar com duas unidades no Rio de Janeiro — Copacabana (Zona Sul) e Barra da Tijuca. Atendemos 13 especialidades médicas, mais de 20 exames de imagem e mais de 20 exames laboratoriais no mesmo endereço, com equipe própria e equipamentos modernos. Nosso compromisso é oferecer cuidado integral, com acesso rápido e atendimento humanizado, para que cuidar da saúde seja simples.
📍 Copacabana — Av. Nossa Sra. de Copacabana, 1155
📍 Barra da Tijuca — Downtown, Av. das Américas, 500, Bloco 13, Loja 127
🩺 Responsável técnico: Dr. Wiler Vasconcellos · CRM-RJ 52-90304-3
Referências
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- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) — Documentos Científicos sobre Febre na Infância. Disponível em: sbp.com.br
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- American Academy of Pediatrics (AAP) — Clinical Practice Guidelines on Fever in Children. Disponível em: aap.org
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- Ministério da Saúde — Cuidados com a Saúde da Criança. Disponível em: gov.br/saude
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- National Institute for Health and Care Excellence (NICE) — Fever in under 5s: assessment and initial management. Disponível em: nice.org.uk


